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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Após prazo, 63% dos municípios ainda não têm prontuário eletrônico

Após o fim do prazo estabelecido pelo governo para implantação do prontuário eletrônico, apenas 37% dos municípios do País já têm unidades básicas de saúde com acesso ao sistema que reúne dados de consultas e exames feitos pelo paciente. Os dados fazem parte de um balanço apresentado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (14), quatro dias após o fim do período de 60 dias fixado pela pasta para que todas as cidades implementassem o prontuário eletrônico ou enviassem justificativas, sob risco de suspensão de repasse de recursos da atenção básica.

Segundo o balanço, 2.060 municípios já implantaram prontuário digital próprio ou desenvolvido pelo ministério em ao menos uma unidade de saúde – um avanço de 7% em relação ao início de outubro, quando a medida foi anunciada.

Do total de 41.688 postos de saúde em funcionamento no País, 11.112 já utilizam esse sistema, o equivalente a 26,6% do total. Em outubro, esse percentual era de 24,3%. Além de consultas e exames, o prontuário deve reunir dados sobre medicamentos receitados, diagnóstico do paciente, procedimentos realizados e evolução do tratamento.

Apesar da meta fixada pelo governo, a maioria dos municípios e unidades básicas de saúde informou dificuldades em implementar o sistema. As principais são a falta de equipamentos, como computadores (motivo alegado em ao menos 21 mil unidades básicas de saúde), ausência de conexão ou problemas no acesso à internet (caso de ao menos 18 mil delas) ou falta de profissionais capacitados para uso do prontuário, entre outros motivos.

O Ministério da Saúde diz que a pasta agora deve analisar cada uma das justificativas para definir novos prazos e quais medidas devem ser adotadas. Segundo o ministro Ricardo Barros, a pasta já trabalha na criação de um plano de apoio à aquisição de equipamentos, treinamento de profissionais e ampliação do acesso à internet nos próximos seis meses. Ao todo, a previsão é investir cerca de R$ 416 milhões no próximo ano com as medidas. "Espero que até maio do ano que vem tenhamos a imensa maioria das unidades conectadas", afirmou.

Já os municípios que ainda não enviaram informações poderão ter recursos federais voltados à atenção básica em saúde suspensos no início de 2017, informa a pasta. Ao menos 151 cidades ainda não enviaram justificativas e devem ser contatadas nos próximos dias para enviarem explicações. Caso não informem, os recursos serão cortados. O valor total previsto para esses municípios não foi informado.
Natália Cancian
Folhapress/FOLHA DE LONDRINA

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