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sábado, 22 de junho de 2013

Cidade paga a quem vai à escola

O projeto Paraíso Alfabetizado, implantado há três anos, poderá guindar a cidade de Paraíso do Norte (a 98 quilômetros de Maringá) à condição de Município Limpo de Analfabetismo dentro de três anos, situação rara entre os municípios brasileiros. O principal incentivo para isto é um auxílio financeiro oferecido pela prefeitura a quem frequentar os cursos de alfabetização e aos professores que evitarem o êxodo de alunos.
O projeto municipal funciona em parceria com o programa Paraná Alfabetizado, do governo estadual. No primeiro ano, 30 pessoas se matricularam, mas muitos desistiram após alguns dias de aula, o que levou a prefeitura a oferecer incentivo financeiro a quem permanecer no curso. Hoje, 147 pessoas de diferentes idades frequentam as aulas regularmente.
“Se levarmos em conta que uma média de 8,5% das pessoas não são alfabetizadas, veremos que em uma cidade do porte de Paraíso do Norte, que tem cerca de 12 mil habitantes, são mais de 800 cidadãos que não sabem ler e escrever”, diz o secretário municipal de Educação, professor Roberto Raimundo Lima. Segundo ele, a maior dificuldade de levar o programa no início foi a desistência dos alunos. Como a maioria é de pessoas que trabalham durante o dia, quase sempre em serviço pesado, muitos preferiram descansar do que ir à escola.
“A administração aceitou o desafio de resgatar uma dívida histórica que possuímos com estas pessoas que não tiveram acesso aos bancos escolares”, diz o prefeito Beto Vizzotto (PT). “Criamos o auxílio para estimular a ficarem na escola, aprender a ler, ler a vida, tirar a carteira de motorista, Título de Eleitor”.
A bolsa auxílio deu resultado. No ano passado 80 pessoas frequentaram as aulas e neste ano são 147. Cada aluno recebe mensalmente R$ 80 e os professores, que recebem R$ 280 do Paraná Alfabetizado, recebem da prefeitura mais R$ 250, quase dobrando seus ganhos. “O professor também precisa estar estimulado e assim ele se preocupa em realizar um trabalho que motive seus alunos”, diz Vizzotto.
A Unesco considera como Limpo de Analfabetismo o município com no máximo 5% de sua população analfabeta. “A meta é erradicarmos o analfabetismo em 5 ou 6 anos, mas poderemos chegar à condição de Limpo de Analfabetismo em 3 anos”, considera o secretário de Educação.

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