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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Em São Jerônimo, Gaeco apura ameaças contra testemunhas

Testemunhas do recente escândalo em São Jerônimo da Serra (Norte Pioneiro), sobre suposto desvio de dinheiro público na prefeitura, teriam sido ameaçadas por pessoas ligadas ao prefeito Adir dos Santos Leite (PSDB). O tucano foi denunciado no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, apontado como um dos líderes do suposto esquema de corrupção. O caso das ameaças é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o delegado Ernandes Cesar Alves, que preside o inquérito, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Jair Leite, irmão do prefeito, e do ex-servidor comissionado do município Valdir Costa. Costa chegou a ser detido por posse de arma, mas pagou fiança e foi liberado. Ambos foram ouvidos na segunda-feira pelo delegado e negaram as acusações. 

Depois da deflagração da operação Sucupira, no dia 6 de agosto, quando foram cumpridos pelo Gaeco 18 mandados de prisão e 55 de busca e apreensão em São Jerônimo da Serra e mais sete cidades, testemunhas ouvidas no decorrer das investigações procuraram o Gaeco alegando que sofreram ameaças. "Existem indícios de que testemunhas foram ameaçadas", confirmou Alves, sem detalhar o que teria acontecido. Segundo o delegado, "parece que as ameaças cessaram, mas se houver algo novo, não descartamos pedidos de prisão". 

Valdir Costa, que ocupava o cargo de chefe da Contabilidade municipal, negou as acusações e informou que tem o registro da arma apreendida na residência dele. "Conheço as pessoas (testemunhas), a gente se encontra na rua, é tudo normal. Essa é uma denúncia que não tem provas." Ele disse que mantém bom relacionamento com os denunciantes. "Um deles é construtor, ramo que eu trabalhava, a gente conviveu também como companheiros políticos em coligações passadas." Segundo Costa, "agora cabe a quem acusa provar o que está dizendo". Jair Leite não foi localizado pela reportagem. 

TENSÃO 

O clima tenso na cidade de São Jerônimo da Serra após a operação Sucupira chegou também ao Judiciário. Ao determinar os afastamentos dos servidores e dos três vereadores denunciados criminalmente por envolvimento no escândalo, o juiz Paulo Fabrício Camargo falou sobre "supostas ameaças indiretas feitas contra o promotor e o juiz desta comarca (…) o que se dirá com relação a munícipes que não ostentam tais condições (autoridades)". Em outro trecho da decisão, proferida no último dia 3 de setembro, o juiz escreve sobre "ameaças diretas contra a pessoa de Elison Marcelo Scerbo (PMDB)", que fez as primeiras denúncias sobre as irregularidades investigadas na prefeitura. A FOLHA não conseguiu falar com o vereador. 

O promotor de Justiça de São Jerônimo da Serra Marcelo Salomão Czelusniak disse que "houve rumores de que algo estaria sendo planejado contra mim, mas nada mais concreto". Ele continua atuando no processo sobre o desvio de verbas, mas, na condição de vítima, afastado da investigação sobre as ameaças. O juiz também se deu por impedido no segundo caso. "Sempre temos cautela, mas seguimos trabalhando normalmente", comentou Czelusniak. 

PASSEATA 

Na semana passada, moradores de São Jerônimo da Serra fizeram uma passeata cobrando investigação na Câmara de Vereadores sobre as denúncias que recaem no prefeito e assessores. Contudo, os grupos aparentam mais tranquilidade. De acordo com o delegado da cidade, Flávio Augusto Junqueira Enout, os ânimos estão menos exaltados. "Agora o clima na cidade, pelo menos quanto à operação Sucupira, está tranquilo. As pessoas que fazem parte do grupo político investigado tem evitado qualquer manifestação e, do outro lado, aqueles que se posicionam contra, fazem de maneira bem civilizada." O presidente da Câmara não foi localizado ontem pela FOLHA. 

AFASTAMENTOS 

Ao receber a denúncia criminal contra 39 pessoas por envolvimento nos supostos desvios na prefeitura, o juiz Paulo Fabrício Camargo deferiu o afastamento de nove agentes públicos, incluindo familiares do prefeito, que tinham cargos comissionados, e os vereadores José Jacir Sampaio (PSD), Isaque Pereira Martins (PPS) e Amarildo Bueno (PR). 

O advogado Fábio Maximiano, que defende os parlamentares, disse que apresentaria recurso ao TJ para "restabelecer a ordem". "Respeito a decisão, mas não existe crime, muito menos com a participação dos vereadores."
Edson Ferreira Reportagem Local FolhaWeb

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