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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Polícia investiga falso médico em Uraí

A Polícia Civil de Uraí, na Região Metropolitana de Londrina, abriu inquérito para investigar a conduta de um falso médico que vinha atuando como plantonista na Santa Casa da cidade. A investigação teve início em agosto, depois que um paciente morreu após ser atendido pelo suposto profissional. Segundo o delegado Damião Benassi Júnior, que preside o inquérito, os familiares da vítima registraram boletim de ocorrência denunciando que os procedimentos clínicos adotados pelo médico plantonista teriam provocado a morte do paciente. 

"Foi aberta a investigação e já apuramos que o rapaz se apresentou como médico na Santa Casa usando o registro de um médico de Curitiba e prontuários com o carimbo desse mesmo médico. Ele deu alguns plantões no hospital e estamos averiguando sua conduta, as receitas que usou e os exames que fez para apurar se houve responsabilidade na morte do paciente. Por enquanto ele vai responder pelos crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão", afirmou o delegado, que aguarda também o resultado do exame de necropsia feito pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina para identificar as causas da morte do paciente. A investigação ocorre sob sigilo, segundo explicou Benassi, para preservar a integridade da vítima, dos familiares e dos profissionais da Santa Casa. Caso se configure a responsabilidade do falso médico na morte da vítima, ele será indiciado também por homicídio qualificado. "Tudo vai depender do laudo do IML aliado às condutas que ele [falso médico] teve no dia do óbito", pontuou o delegado. 

Damião Benassi disse que já ouviu o médico de Curitiba cujo registro profissional no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) foi usado de forma fraudulenta pelo falso médico. "Ele disse que nunca esteve em Uraí e não conhece o falso médico", salientou Benassi. Em relação à responsabilidade da Santa Casa, o delegado relatou que os diretores do hospital informaram que não cobraram a apresentação de documentos do falso médico porque o profissional havia apresentado o registro do CRM e o carimbo médico. "Vai demandar um pouco mais de investigação para determinar quem contratou esse falso médico. Não ficou claro se ele trabalhou em troca de plantões ou se era contratado. A Santa Casa disse que ele não era contratado, que atuou trocando plantões com outros médicos", disse Damião Benassi Júnior. 

Como as investigações ainda estão em curso, o delegado explicou que o falso médico só será indiciado quando o inquérito estiver concluído e for oferecida denúncia ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A polícia não sabe o paredeiro do profissional, que, de acordo com Benassi, não mora em Uraí e não retornou mais à cidade desde que o caso da morte do paciente veio à tona.
Diego Prazeres
Reportagem LocalFolhaWeb

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