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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Temer lava as mãos sobre convenção do PMDB no Paraná

Em Curitiba, onde palestrou na abertura do Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), participou do que seria um encontro do PMDB do Paraná para homenageá-lo, mas foi, na interpretação dele mesmo, um evento para mostrar ao presidente de honra do PMDB nacional o apoio dos mais de 650 convidados à pré-candidatura do senador Roberto Requião ao governo do Estado. Medindo as palavras, o vice-presidente chegou a dizer que a tese preferida da direção nacional do partido é a candidatura própria, mas destacou que respeitará a autonomia do diretório estadual. 

"Temos uma democracia interna extraordinária, tanto que admitimos as mais variadas divergências. A tese do PMDB é candidatura própria onde seja possível, mas eu reitero a soberania dos diretórios locais. Temos até estados que não poderão acompanhar nossa aliança nacional, por conta de uma realidade muito antiga", disse Temer. "Aqui, vejo grande entusiasmo pela candidatura do Requião, que tem qualificação para ocupar qualquer cargo no País, mas o diretório local que vai decidir, nem é o diretório não, é a convenção estadual e Requião tem todas as condições de ir à convenção e vencê-la. Mas quero pedir é pela unidade. Podem divergir quanto quiserem, mas no momento que se encerrar a convenção, quero todos juntos", acrescentou, para uma plateia formada por 99% de defensores da candidatura de Requião, exceto o ex-governador Orlando Pessuti e o presidente estadual do Partido, Osmar Serraglio. 

Apesar da declaração fria, Requião comemorou a presença de Temer no evento e disse que o vice-presidente não está em cima do muro. "O Temer é presidente do partido. Ele não pode antecipar uma convenção. E ele não vota no Paraná. Mas que muro é esse se ele veio aqui?", questionou. Requião foi mais brando do que de costume com os deputados que aderiram ao governo Beto Richa (PSDB) e defendem a coligação com o tucano. "Eles acharam que se ligando ao governo poderiam atender melhor seus municípios. Foi um erro, mas esse governo acabou envolvendo os parlamentares. Os deputados que erraram, vão corrigir, pois compreenderão que mais importante que 50 ou 60 cargos em comissão é a atenção aos professores, aos trabalhadores, aos funcionários públicos, à população do Paraná." 

Logo após o discurso, em entrevista à imprensa, ele não quis comentar se adotaria a postura de unidade pedida por Temer caso perca a convenção. "Isso é rigorosamente impossível. O PMDB não está à venda e não vai apoiar um governador que não governa. Não existe essa hipótese. Nós vamos ter uma convenção. A democracia se estabelece pela vontade da maioria e quando eles (os deputados que defendem a aliança) voltarem, os receberei como filhos pródigos."
Roger Pereira
Reportagem Local FolhaWeb

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